Você já se perguntou quantos anos um cachorro vive? A maioria das pessoas sabe que cães vivem em média entre 10 e 15 anos. Mas a história que você vai ler agora é diferente e emocionante. Vamos falar sobre os cães que desafiaram os limites da biologia, quebraram recordes mundiais e deixaram marcas para sempre na história da relação entre humanos e animais.

Lazere: o “Vovôzinho” de 30 Anos que o Mundo Acabou de Perder

Lazere, um spaniel francês do tipo toy, morreu em 14 de maio de 2025, aos 30 anos e cinco meses de idade. Sua tutora, Ophélie Boudol, de 29 anos (um ano mais nova que o cachorro), confirmou a morte nas redes sociais com uma homenagem emocionante.

“Você decidiu abrir suas asas nos meus braços, na noite de 14 de maio, para reencontrar sua dona que tanto te amou”, escreveu ela na despedida.

Lazere nasceu em 4 de dezembro de 1995, segundo Anne-Sophie Moyon, diretora de um abrigo de cães na França. Ele passou grande parte da vida com a mesma tutora, e quando ela morreu, foi levado ao abrigo. Foi lá que Ophélie se encantou por ele e o adotou, dando ao pequeno velhinho um novo lar cheio de carinho em Villy-le-Pelloux, no sudoeste da França.

Segundo a agência de notícias AFP, os funcionários do abrigo haviam preenchido a documentação para registrar Lazere no Guinness World Records, após verificarem a data de nascimento em dois registros diferentes. “Fizemos uma dupla verificação. Não há dúvidas: Lazere está com 30 anos”, disse Moyon ao jornal britânico The Times.

Infelizmente, o Guinness confirmou que não havia recebido os documentos a tempo de homologar o recorde antes de sua morte.

Bluey: O Recordista Oficial que Resiste ao Tempo

Com a situação do Guinness em aberto, quem detém o título oficial de cachorro mais velho de todos os tempos continua sendo o australiano Bluey, um Australian Cattle Dog (pastor australiano) que nasceu em 1910 e viveu incríveis 29 anos e cinco meses, falecendo em 1939.

Isso mesmo: um recorde que existe há mais de oito décadas e que até hoje nenhum cão conseguiu superar de forma documentada e verificada.

A Polêmica de Bobi: Quando o Recorde Caiu

Mas se você acompanhou as notícias nos últimos anos, provavelmente ouviu falar de Bobi, um Rafeiro do Alentejo português que chegou a ser reconhecido pelo Guinness World Records como o cachorro mais velho de todos os tempos, supostamente com 31 anos e 165 dias.

A história de Bobi era bonita. Ele morou a vida toda em Conqueiros, uma pequena aldeia a cerca de 150 km de Lisboa, com a família Costa. Comia a mesma comida dos donos (sem tempero), nunca ficou preso por corrente e vivia em liberdade na zona rural. Em fevereiro de 2023, o Guinness reconheceu o recorde. Em maio daquele mesmo ano, ele ganhou uma festa de aniversário com mais de 100 convidados de vários países.

Porém após a morte de Bobi, em outubro de 2023, veterinários começaram a questionar a veracidade da idade. Danny Chambers, veterinário e membro do conselho do Royal College of Veterinary Surgeons do Reino Unido, declarou ao jornal britânico The Guardian que nenhum de seus colegas acreditava que Bobi tinha de fato 31 anos.

O Guinness abriu uma investigação. E em fevereiro de 2024, o título foi retirado de Bobi oficialmente. Mark McKinley, diretor de recordes do Guinness, afirmou em comunicado que a organização “não possui mais provas que verifiquem que Bobi era o dono do recorde”.

Vale lembrar que a expectativa de vida de um Rafeiro do Alentejo é de 12 a 14 anos, segundo o American Kennel Club. Chegar aos 31 seria biologicamente extraordinário, e a ciência pediu provas que não foram encontradas.

Por Que Alguns Cachorros Vivem Tanto?

Essa pergunta move cientistas do mundo inteiro. E já temos algumas respostas bastante concretas.

O tamanho importa

Um amplo estudo britânico liderado pela Dogs Trust em parceria com a Universidade Liverpool John Moores, publicado na revista científica Scientific Reports, analisou dados de mais de 584.000 cães de mais de 150 raças no Reino Unido.

A conclusão foi foi que cães de pequeno porte vivem mais. A expectativa média de vida geral foi de 12,5 anos. Mas cães pequenos com focinho longo chegaram a uma média de 13,3 anos, enquanto raças grandes podem ter uma expectativa de vida até 20% menor do que as pequenas.

Não à toa, um spaniel de pequeno porte como Lazere chegou aos 30 anos. Ou que Bluey, o recordista oficial, era um cão de porte médio, mas com uma genética aparentemente excepcional.

O focinho também faz diferença

O mesmo estudo mostrou que cães com focinho curto, como Buldogue Francês e Pug têm uma expectativa de vida significativamente menor. O Buldogue Francês, por exemplo, vive em média apenas 9,8 anos.

Já raças com focinho longo, como o Lancashire Heeler e o Spaniel Tibetano, lideram os rankings de longevidade, com médias de 15,4 e 15,2 anos, respectivamente.

Fêmeas vivem um pouquinho mais

O estudo revelou que cadelas têm uma expectativa de vida ligeiramente maior: 12,7 anos, contra 12,4 anos dos machos. Pequena diferença, mas consistente nos dados.

O Que Podemos Aprender com Esses Cães?

A ciência já aponta caminhos claros. Um artigo publicado na revista PLOS ONE, com pesquisadores de sete instituições americanas, confirmou que o porte do cão é determinante para sua expectativa de vida. Cães maiores morrem mais frequentemente em decorrência de problemas musculoesqueléticos e gastrointestinais.

Mas além da genética e do tamanho, os casos de Lazere e de Bluey sugerem fatores em comum:

  • Vínculo afetivo forte com os tutores, ambos viveram a vida toda com pessoas que os amavam
  • Ambiente tranquilo e estável, longe do estresse
  • Cuidados veterinários ao longo dos anos
  • Alimentação adequada e rotina de vida saudável

Ophélie, a última tutora de Lazere, relatou à AFP que ele tinha “uma personalidade muito cativante” e que, mesmo usando fraldas e dormindo a maior parte do dia, mantinha uma presença vívida e especial.

O Título Ainda Está em Aberto

Com a morte de Lazere e sem homologação pelo Guinness, o posto de cachorro mais velho vivo do mundo está oficialmente vago. O próprio Guinness, após retirar o título de Bobi em 2024, declarou: “Ainda não estamos em condições de confirmar um novo detentor do recorde, embora certamente esperemos que a publicidade sobre o título possa incentivar donos de animais ao redor do mundo a entrarem em contato com a gente.”

Isso significa que pode ser que exista agora mesmo, em algum lugar do mundo, um cachorro velhinho com 20 ou 25 anos a caminho desse recorde e ninguém sabe ainda.

Conclusão: Cada Ano com Eles é um Presente

A história dos cães mais velhos do mundo não é só sobre recordes. É sobre o amor dedicado de famílias inteiras ao longo de décadas. É sobre cuidado, paciência e a conexão única entre humanos e cães.

Seja Lazere, que morreu nos braços da tutora depois de 30 anos de vida; seja Bluey, que resistiu ao tempo e ainda hoje detém o recorde oficial; ou seja o próximo campeão que ainda não conhecemos, todos nos lembram de uma coisa, cada dia com nosso cachorro é único e precioso.

Cuide bem do seu. Ele merece.

Fontes consultadas

  • Guinness World Records: guinnessworldrecords.com
  • Rádio Itatiaia: Morre Lazere, cachorro ‘mais velho do mundo’, 15 mai. 2025
  • Jornal de Brasília: Cachorro ‘mais velho do mundo’ morre aos 30 anos, 15 mai. 2025
  • CNN Brasil: Bobi perde o título de cão mais velho do mundo após investigação do Guinness, 22 fev. 2024
  • The Guardian (via CNN Brasil): Declarações de Danny Chambers, veterinário do Royal College of Veterinary Surgeons
  • Scientific Reports (Nature Group): Estudo de Kirsten McMillan / Dogs Trust & Universidade Liverpool John Moores sobre longevidade canina em 584.734 cães
  • PLOS ONE: Dog size and patterns of disease history across the canine age spectrum, pesquisadores de sete instituições americanas
  • American Kennel Club: Expectativa de vida do Rafeiro do Alentejo
  • American Veterinary Medical Association (AVMA): Expectativa de vida média dos cães
  • AFP (Agence France-Presse): Reportagem sobre Lazere, mai. 2025

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